domingo, 10 de dezembro de 2017

Hyundai Rotem K2 Black Panther (38)



Desde os anos 50, imersa em conflitos com a Coréia do Norte, a Coréia do Sul vive um clima de instabilidade e desconfiança. As hostilidades cessaram sem que houvesse, até hoje, um acordo de paz oficial. Com forte apoio dos Estados Unidos a Coréia do Sul se desenvolveu, ao contrário de sua irmã do Norte que mantém-se nos padrões tecnológicos não muito diferentes dos que possuía após a 2ª GM. 

A indústria de defesa sul-coreana é uma das mais modernas do mundo, e suas forças militares igualmente bem treinadas e equipadas como as melhores do planeta, buscando a todo momento a sua atualização. A florescente nação asiática se prepara constantemente para o futuro. Um exemplo de sua capacidade é o desenvolvimento do MBT K-1, veículo que supera com folga o desempenho e poder de fogo dos similares do norte e outros concorrentes regionais.

Para manter-se na vanguarda tecnológica, em meados dos anos 90 a jovem indústria de defesa sul-coreana lançou-se no desenvolvimento de seu novo MBT. A nova arma seria extremamente moderna e visava entre outros interesses a exportação para países sobre embargo ou restrições de transferência de tecnologias e armas por parte dos Estados Unidos. Inicialmente destinava-se a completar a defesa coreana e posteriormente substituir os modernos K-1 a partir de 2011.

O novo projeto recebeu o nome código XK-2 e consiste num MBT equipado com as mais avançadas tecnologias aplicadas ao combate terrestre no momento. O K-2 é visto por alguns analistas como sendo um carro de combate equivalente aos norte-americanos M-1A2 e Leopard 2A6 alemão, o que já demonstra a maturidade tecnológica e o grande esforço dos engenheiros deste país em produzir um veículo com capacidades militares e potencial para conquistar o mercado externo.



A ORIGEM

Em 1995, a Agência para o Desenvolvimento de Defesa Sul-Coreana recebeu de seu ministério da defesa a importante tarefa de desenvolver um moderno MBT, com base em tecnologias nacionais coreanas no estado da arte. Apesar da formidável capacidade dos seus carros K1 e K1A1 inegavelmente superiores aos projetos norte-coreanos existentes que em sua maioria consistem em envelhecidos carros T-55 e T-59, buscou-se produzir um “veículo do Futuro”, capaz de fazer frente aos outros MBTs asiáticos que estavam em desenvolvimento, na Rússia, China e Japão.

A ênfase em tecnologias nacionais também permitiria que o veículo fosse proposto para entrar no mercado de exportação, sem embargos de origem. Esta mudança de visão por parte dos coreanos visava entre outras coisas, equacionar e reduzir os custos de desenvolvimento da nova arma que como se esperaria, seria elevado.

O projeto do XK-2 coube então à agência local em parceria à francesa GIAT industries e a Alemã Diehl, que desenvolveram o projeto do carro XK-2. A construção e montagem seriada dos veículos foi destinada a Rotem, empresa do grupo Hyundai, fabricante dos carros K-1. A meta de nacionalização alcançada no projeto XK-2 supera 90% dos componentes existentes no veículo.

O projeto estava pronto para entrar em produção em 2006, 11 anos após o inicio do desenvolvimento, custando cerca de US$ 230 milhões. O veículo entrou em produção pela Rotem em Changwon, em 2 de Março de 2007. Em Março de 2011, a DAPA (Defense Acquisition Program Administration) anunciou que a produção em massa do novo MBT K2 para seu exército teria início em 2012. Entretanto, surgiram problemas nos motores e transmissão, que acabaram por atrasar o início da produção, que não aconteceu até meados de 2013.



Falhas de confiabilidade e durabilidade dos motores produzidos domesticamente levaram os primeiros 100 K2 de produção a usar um motor MTU, atrasando a IOC para Março de 2014. O projeto previa que o K2 seria movido por um motor nacional produzido pela Doosan Infracore Corporation. O motor seria concebido e baseado no Alemão MTU-890, diesel de 12 cilindros, que deveria desempenhar 1.500 HP (1.100 kW) e seria acoplado a um sistema de transmissão C & T Dynamics Transmission. No entanto, problemas técnico evidenciaram-se nos testes que se sucederam e levaram aos atrasos de 2 anos.

Para muitos este problemas fariam por desmerecer o projeto, entretanto ressalta-se que foram buscadas alternativas próprias sempre que possível, com a complexidade de tecnologias envolvidas comofatores a ser considerados, especialmente quanto a motorização e um veículo desta natureza. Pode-se dizer que este atraso seria esperado, frente as variadas e complexas empregadas.

Novas tecnologias foram implementadas como uma torre da arma principal não tripulada, operada remotamente, mas posteriormente esta solução foi descartada. Em busca de maior poder de fogo e capacidade de destruição das blindagens compostas que se encontravam em franco crescimento, os projetistas imaginaram equipar o carro com uma arma de cano liso de 140 mm produzida pela Rheinmetall. Segundo informações, o descarte desta arma alternativa só foi tomado devido ao desinteresse da Rheinmetall, produtora do canhão, que por razões internas, resolvera abandonar o projeto concentrando esforços no desenvolvimento da sua arma mais atual, o canhão 120 mm – L55, que segundo o fabricante teria a mesma eficácia que a arma de 140 mm, sendo suficiente para contrariar ameaças de blindados potenciais num futuro previsível.



SISTEMAS DE ARMAS

Com o cancelamento do projeto do canhão de 140 mm, os projetistas buscaram junto ao fabricante a alternativa da arma mais poderosa que poderia existir no inventário internacional. Como não existia tecnologia para produção de um canhão com as especificações que se desejava, a solução viria por meio da Rheinmetall e seu novo modelo L55, uma arma de alma lisa que passou a ser produzida sob licença.

O sistema de arma principal idealizado pelos projetistas coreanos e franceses, fazia uso de carregador automático, semelhante ao sistema que fora projetado para MBT Francês, Leclerc. A arma coreana poderia assim disparar em cadência elevada de até 20 tpm, ou seja, um disparo à cada 3 segundos.



O Black Panther pode utilizar toda a variedade de munições 120 mm operadas pelos seus predecessores, os carros de combate K1 e K1 A1, em especial as munições APFSDS. Porém para esta nova arma os projetistas prepararam duas surpresas especiais: a reserva de 16 tiros, com uma capacidade total de 40. Além da munição de 120 mm existente, foi implementado um desenvolvimento local anti-tanque de tungstênio (APFSDS) especial. Esta nova munição consiste num penetrador de energia cinética, que oferece significativamente maior capacidade de penetração que qualquer arma semelhante atualmente em operação. Segundo o fabricante, uma tecnologia própria permite que o núcleo da ogiva não se fragmente ou deforme, mantendo a sua integridade e capacidade de penetração.



Para atacar alvos não protegidos, o K2 pode usar munição multipropósito química HEAT, similares às americanas M830A1 HEAT MP-T, proporcionando boas capacidades ofensivas contra tropas, veículos sem blindagem  ou levemente blindados, bem como helicópteros em voo baixo.

Outra arma especial do veículo é a  Korean Smart Top-Attack Munition (KSTAM), uma munição do tipo "dispare-e-esqueça", que atinge o carro de combate por uma de suas regiões mais frágeis, o topo. Esta munição anti-carro possui um alcance de funcionamento eficaz entre 2-8 km, e foi especificamente desenvolvida para o emprego nos veículos K2.

Ela é lançada como um projétil de energia cinética, disparado da arma principal em um perfil de elevação maior. Ao chegar a sua área de destino designado, um pára-quedas é aberto e um radar de banda milimétrica e sensores radiométricos, além de sistemas de IR iniciam a busca por alvos fixos ou móveis. Uma vez que o alvo é adquirido, uma carga explosiva com um penetrador é disparada a partir de uma posição de cima para baixo, atingindo a armadura do veículo oponente numa de suas regiões mais vulneráveis, o topo do casco e torre. A busca pelo alvo pode também ser executada manualmente pela tripulação do carro, por meio de sistema de data-link. Estas características permitem que o veículo de lançamento se esconda atrás de coberturas enquanto dispara sucessivas cargas para a localização de um inimigo conhecido, ou ainda, preste apoio efetivo com fogo indireto contra alvos escondidos atrás de obstáculos e estruturas.

Além da arma principal o veículo utiliza-se de armas secundárias como a metralhadora pesada  K-6 de 12,7 mm e metralhadora coaxial de  7,62 mm.



BLINDAGEM E PROTEÇÃO

O MBT coreano possui um sistema de blindagem composta cujos detalhes são sigilosos. Segundo os testes com fogo real, a armadura frontal do casco suporta eficazmente os disparos de munições APFSDS 120 mm lançados a partir do canhão L55. No futuro as novas versões do veículo terão também inclusas na armadura, sistemas de blindagem reativa explosivas, com a adição de Non-Explosive Reactive Armour (NERA) planejado para a versão K2 PIP.

Encontra-se em desenvolvimento um programa denominado KAPS ou Korean Active Protection System, que em suma, destina-se a desenvolver localmente um sistema de proteção ativa como o israelense “Trophy” ou o Russo “Arena”, no qual o sistema se baseia. O sistema proverá a defesa ativa dos veículos contra as armas anticarro. Segundo informações do fabricante o sistema utiliza-se da detecção tridimensional e acompanhamento por radar e um termovisor para acompanhar as ameaças. Ogivas podem ser detectadas à 150 metros do veículo e após isso uma carga é disparada com vistas a destruir a ameaça num perímetro superior a 10 m do veículo. Segundo o fabricante o sistema encontra-se em fase final de testes e é capaz de neutralizar ameaças provenientes de lança-granadas antitanque e mísseis guiados. O sistema pode ser instalado em outras plataformas no futuro, e seu valor unitário é estimado em cerca de US$ 600 mil.

Para auto-defesa o Black Panther faz uso de um sistema de radar de banda milimétrica montado na torre que é capaz de operar como um sistema de alerta de ataques de mísseis MAWS. O computador do veículo por sua vez, pode triangular sinais de projéteis e avisar imediatamente a tripulação ao mesmo tempo que dispara o sistema de interferência a laser, por meio do lançamento de granadas de fumaça (VIRSS) 2×6, bloqueando assinaturas ópticas, infravermelho e de radar.




Uma vez que as medidas defensivas forem plenamente instaladas, o sistema de radar também será responsável pelo acompanhamento e orientação dos mísseis. O veículo também é equipado com um sistema IFF, um Radar RWR e um jammer de radar.

Quatro receptores de LWR também estão presentes para alertar a tripulação quando o veículo está sendo “iluminado” por um sistema de disparo, com sistema automático que dispara as granadas VIRSS na direção incidente do feixe laser.

O sistema de supressão de incêndio automático é programado para detectar e apagar todos os fogos internos que podem ocorrer e os sensores atmosféricos alertam a tripulação sobre os perigos atmosféricos dentro e fora do carro.

O K2 está equipado com um avançado sistema de controle de fogo (FCS), ligado a um sistema de radar de banda milimétrica, implantado no arco frontal da torre, junto com um identificador laser e um sensor de velocidade de vento. O sistema é capaz de operar em modo “lock-on“, de adquirir e seguir alvos específicos até uma distância de 9,8 km, usando os sistemas ópticos e termais. Isso permite que a tripulação dispare com precisão enquanto se move, bem como possa engajar efetivamente aeronaves voando baixo. O FCS também está ligado a um estabilizador avançado de arma e a um mecanismo de disparo com atraso para otimizar a precisão enquanto se move em terreno irregular. Se o gatilho da arma principal for puxado no momento em que o veículo se encontra em uma irregularidade no terreno, a oscilação do cano da arma vai causar desalinhamento temporário entre um emissor de laser na parte superior do cilindro e um sensor na base. Isto irá retardar o FCS, até que o feixe seja novamente realinhado, melhorando as chances de acertar o alvo pretendido.



Especula-se que o FCS pode detectar automaticamente e rastrear alvos visíveis, compará-los usando o link de dados estabelecido com outros veículos para evitar a redundância de disparos da arma principal sem intervenção manual. O K2 foi planejado para um ambiente de guerra centrado em redes e possui uma eleva gama de sistemas que amplificam a consciência situacional da tripulação, plenamente imerso na filosofia C4I. Possui sistema de orientação por GPS (Global Positioning Satellite),  sistema IFF/SIF (Identificação Friend or Foe / Selective Identification Feature) compatível com STANAG 4579, com o sistema localizado logo acima da arma principal, e dispara um feixe de 38 GHz na direção da arma para uma resposta do alvo (veículo). Se um sinal de resposta adequada é mostrada, o sistema de controle de fogo identifica automaticamente se amigo ou não. Se o destino não responder ao sinal de identificação, este é automaticamente declarado como um hostil.

O Sistema de Gestão da Batalha (Similar ao Sistema de Informação Inter-Veicular usado no exército dos Estados Unidos) permite que o veículo compartilhe seus dados com unidades aliadas, incluindo veículos blindados e helicópteros. Os coreanos trabalham agora para ampliar as capacidades do K2 integrando-o a um veículo XAV de reconhecimento não tripulado sobre rodas, que proverá a capacidade de explorar remotamente uma área sem expor a sua posição. 

O veículo é equipado com um visor primário para o artilheiro denominado Korean Gunner Primer Sight (KGPS), já o comandante do veículo possui um segundo sensor o Korean Commander Panoramic Sight (KCPS). Estes sistemas são os mesmos empregados nos carros K1 e K1A1, porém, tratam-se de versões atualizadas e mais avançadas. Para o Programa K2 PIP, uma nova gama de visores termais e sistemas eletro-ópticos estão sendo desenvolvidos. O comandante do carro tem a capacidade de assumir o controle da torre e arma do artilheiro. O veículo pode ser operado por apenas dois tripulantes, ou até mesmo um único membro da tripulação.

MOTORIZAÇÃO E MECÂNICA

Um motor diesel de 4 tempos, com 12 cilindros e refrigerado a água de 1.500 hp (1.100 kW) fornece a potência necessária, o que permite desempenhar uma velocidade de 70 km/h na estrada. O veículo é capaz de acelerar de zero à  32 km/h em 7 s e manter velocidades de até 52 km/h em condições "off-road". suporta rampas frontais de 60º e obstáculos verticais de 1,3 m de altura. Devido à concepção relativamente compacta do motor, os seus projetistas foram capazes de encaixar um mecanismo adicional no sistema de propulsão, na forma de uma turbina a gás Samsung Techwin que amplia a potência, conferindo-lhe 100 CVs (75 kW) extras. Esta turbina funciona também como uma unidade auxiliar de potência com a qual o carro pode ligar seus sistemas de bordo quando seu motor principal estiver desligado. Fora isso, permite uma economia de combustível quando em marcha lenta e minimiza as assinaturas térmicas e acústicas do veículo.



Pode ainda atravessar vaus de 5 m, usando um sistema especial de snorkel, que também serve como uma torre de comando para o comandante do veículo. O sistema leva cerca de 30 minutos para ser preparado. A torre torna-se estanque, mas o chassis é carregado com até 500 litros de água para evitar a flutuação, mantendo o veículo em contato com o solo. O reservatório pode ser esvaziado permitindo ao veículo entrar em combate tão logo atinja a superfície.



O veículo possui um avançado sistema de suspensão, chamado In-arm Suspension Unit (ISU), que permite o controle individual de cada elemento. Isso permite que o K2 possa inclinar-se em dois eixos. Permite diminuir seu perfil o que também possibilita melhor dirigibilidade em estradas. Pode ganhar maior distância ao solo permitindo melhor manobrabilidade em terrenos acidentados. Ao inclinar-se o veículo alcança uma gama angular maior para o cano da arma, que pode elevar-se ou abaixar-se, permitindo o disparo de sua principal arma em ângulos negativos, bem como engajar aeronaves voando baixo de forma mais eficaz. A unidade de suspensão também amortece o chassis a partir de vibrações ao se deslocar sobre terrenos irregulares.




FICHA TÉCNICA


Dimensões e peso

Comprimento
10 m
Largura
3,6 m
Altura
2,5 m
Peso
55-61 ton

Propulsão e Técnica

Motor
MTU 4 tempos 12 Cilindros
Potência/ Hp
1500, 1100 HPs
Relação peso / potência / hp/ton
27,2 hp/ton


Suspensão
In arm Suspension Unit

Performance

Velocidade Max
70 km/h
Autonomia
450 km
Inclinação máxima
60 º

Armamento e armadura

Sistemas de tiro
Computadores de tiro digitais, estabilizadores, telêmetro laser, canhão automático.
Armamento primário


1 canhão L 55 120 mm 40 projéteis
Armamento secundário
1 metralhadora K6 12,7mm com 3200 projéteisMetralhadora 7,62mm com 12000 projéteis
Armadura
Composta com sistema ERA NERA e sistemas adicionais ativos KAPS.
Armadura frontal
Capacidade de proteção contra munições APFSDS 120mm

CONCLUSÕES

Alcançando a vanguarda no desenvolvimento de armamentos de elevado valor estratégico, a Coréia do Sul projetou um carro de combate de primeira linha, construído sobre um princípio de constante atualização e adequação o que garante-lhe a sobrevivência nos mais variados cenários da guerra moderna. Superando os seus Predecessores K1 e K1A1 especialmente por ser mais adaptado aos conflitos assimétricos, o K2 Black Panther não só demonstrou aos críticos do seu projeto a necessidade da “reinvenção” de um novo MBT baseado em novos critérios, como delimitou novos parâmetros necessários para os futuros MBT. Um veículo capaz de operar em ambiente centrado em redes, que transfere e recebe informações sobre o campo de batalha, que atua ativa e passivamente nas ECM interferindo e “escutando” o inimigo.

Fora isso o K2 passa agora por amplo programa de atualização denominado K2 PIP (product improvement program) que visa prover ao veículo melhorias que incluem:

  • Atualização da unidade de suspensão semi-ativa.
  • Integração de um sistema de varredura de terreno de alta-resolução para o sistema de suspensão do veículo.
  • Integração de defesa ativa KAPS.
  • Adição de blindagem Non-Explosive Reactive Armor (NERA).
  • Potencialmente o programa visa substituir a arma 120 mm/L55 por uma arma química-eletroquímica.


Todos estes itens por si só demonstram que embora seja moderno e especializado, o MBT K2 Black Panther possui ainda um potencial de evolução que certamente o manterá no seleto grupo da linha de frente dos melhores carros de combate do mundo.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Bumerang 8x8 (37)



O Bumerang é fruto de uma requisição da defesa russa para um veículo sobre rodas destinado a substituir os BTR-80, BTR-82 e BTR-90 no exército vermelho, e foi desenvolvido em conjunto com outros tipos de blindados incluido IFV sobre lagartas, MBT e SPG. 

O desenvolvimento do BTR-90 no início dos anos 1990 como substituto dos BTR-80 não atendeu as expectativas devido a um custo muito maior para um veículo bem mais complexo, porém com um desempenho melhorado, porém não significativo. Foi adquirido em pequenos números e o BTR-82, um pequena melhoria em relação ao BTR-80 foi a solução temporária. O Bumerang começou a ser entregue em 2013 na forma de lote piloto e em 2015 em maior escala.








O veículo possui a configuração padrão dos veículos desta classe com motor a frete e motorista do lado esquerdo, capacidade de transposição anfíbia com 2 propulsores. Ao contrário dos BTR-80 que tinha motor traseiro e obrigava a infantaria a deixar o veículo por portas laterais com nítida desvantagem, o Bumerang possui porta de acesso traseira e escotilhas na parte superior e apesar de todos os dados ainda não serem conhecidos, deverá carregar uma tripulação padrão de 3 componentes mais um grupo de combate de 9 infantes conforme a doutrina militar russa. 

O veículo conta com tração sobre pneumáticos 8x8 e motor diesel turbo 750 cv, o mesmo do Kurganets-25 IFV com o qual compartilha vários subsistemas. Sua armadura é composta com cerâmica e será inicialmente produzido nas versões K-16 (APC) armado com uma metralhadora 12,7 mm e K-17 (IFV) armado com uma torre remotamente controlada com canhão de 30 mm e ATGWs Kornet-EM. Aceita armadura adicional, porém este acréscimo de peso pode comprometer sua capacidade anfíbia. Possui altura do solo ajustável e parte frontal em V, o que permite uma melhor resistência a explosões vindas do solo provocadas por minas e IEDs.

Pesa cerca de 25 toneladas, portanto mais leve que os Boxer alemão e o Eitan Israelense, tem autonomia de 800 km e velocidade máxima em estrada de 100 km/h. Deverá servir de plataforma para um grande número de versões como porta morteiros e ambulância, entre outras, como é comum neste tipo de blindado.








sábado, 24 de dezembro de 2016

Eitan (36)




O Eitan é um veículo blindado para transporte de pessoal (VBTP/APC) sobre rodas construído pela indústria israelense para o exército deste país, a fim de substituir os cansados M113, revelado em agosto de 2016 e que deverá entrar em serviço a partir de 2018. Foi concebido com base na experiência judia em todas as inúmeras campanhas de que participou, com ênfase na campanha de Gaza de 2014, onde a presença de IEDs (dispositivos explosivos improvisados) se fez sentir de forma significativa. Deverá servir de plataforma para um grande número de versões que desempenharão missões distintas, porém a que desperta maior interesse é a de IFV (Infantry Fighting Vehicle ou Veiculo de Combate de Infantaria).

Apresenta configuração modular multi-funcional reconfigurável, dispondo de proteção blindada de altíssimo nível. A disposição geral é similar aos outros veículos desta natureza, com motor a frente e motorista do lado esquerdo do veículo, tendo o compartimento de tropas na parte traseira, que transporta 3 tripulantes e 9 infantes, desembarcando por uma porta/rampa traseira operada hidraulicamente.

Pesa entre 30 e 35 toneladas, dependendo da configuração da blindagem modular, sendo o componente inferior altamente resistente a detonação de IEDs como é tendência nos veículos modernos. É o mais pesado veículo desta categoria já construído, rivalizando com o Boxer alemão, e oferece a sua tripulação um altíssimo grau de proteção, seja pelo componente passivo de sua couraça ou por um componente ativo feito pela Raphael denominado APS (Trophy Active Protecion Systems), já testado em combate, além da possível adição de blindagem reativa (ERA).



O APS, é baseado num radar 360 que detecta projéteis se aproximando, os identifica e dispara neutralizadores. Este sistema, apesar de testado em combate e das declarações de seu fabricante, forçou as IDFs a mudarem seus procedimentos com a infantaria desembarcada seguindo o veículo a certa distância para evitarem acidentes. O sistema é caro e ainda pouco confiável, e deverá ainda ser aperfeiçoado e otimizado para a interceptação de projéteis APFSDS no futuro, pois no momento intercepta apenas projéteis de baixa velocidade.

Esta potenciado com uma unidade de 750 cv e atinge uma velocidade máxima em estrada de 90 km/h, podendo os pneumáticos rodarem mesmo depois de perfurados por até 16 km, permitindo escapar das zonas de maior perigo. Roda sobre 8 pneumáticos com tração 8x8 e destina-s e a complementar os mais pesados Namer, IFVs construídos a partir da MBTs Merkava mais antigos.

Seu armamento será variável e configurado conforme a missão, desde metralhadoras de autodefesa de 12,7 mm e 7,62 mm a mísseis diversos, para uso anticarro ou antiaéreos, canhões de 30/40 mm, além da estação de armas de operação remota para operá-las. maiores informações ainda não foram divulgadas, bem como fotos da versão de produção.


quarta-feira, 23 de março de 2016

P16 Schneider AMC (35)


O P16 Schneider AMC foi desenvolvido como um substituto melhorado do P4T 10CV "Modèle 1923", desenvolvido pela Citroen francesa e do qual foram construídas apenas 16 unidades, devido a suas limitações. A denominação AMC é derivada da expressão "auto mitrailleuse de combate" (metralhadora autopropulsada) que foi criada para burlar uma lei da época que proibia a cavalaria de usar carros de combate em 1922. O conceito do veículo semi-lagarta foi desenvolvido pelo engenheiro russo Adolphe Kégresse, e proporcionou  às unidades militares um meio dotado de excelente mobilidade para a época, através de uma esteira de metal emborrachado capaz de transpor terreno difíceis.

O P16 AMC foi construído para equipar as fileiras da cavalaria francesa, cujas unidades de pré-série foram completadas em 1925 como modelos M23 mais largos e potentes, designados M28. Eram dotados de um sistema Kégresse com polia tratora a frente e tensora atrás que também atuavam como rodas de apoio, em conjuntos com 2 bogies duplos com rodas menores emborrachadas no centro, com apenas 1 rolete de retorno. Contava com um conjunto de rodas direcionais de tamanho usual à frente, como característico de veículos deste tipo.



O chassi era dotado de uma armadura construída pela Schneider com 11,4 mm de espessura máxima, capaz de fornecer proteção contra armas de infantaria. estava potenciado com um motor Panhard P16 de 4 cilindros e 3178 cc a gasolina, refrigerado a ar e desenvolvendo 60 hp. Podia rodar a 50 km/h na estrada e 28 km/h fora dela, dependendo do tipo de terreno graças ao seu baixo peso e suspensão de bom desempenho, podendo alcançar até 250 km com seu tanque de 100 l. Podia transpor obstáculos de 0,4 m e alçar rampas com o gradiente de 40%, com seus 2 motoristas sentando-se lado a lado e equipados com direção redundante. O comandante do carro ocupava uma torre a retaguarda onde dispunha de um canhão de 37 mm e uma metralhadora Hotchkiss de 7,9 mm, em pontarias opostas. Media 4,83 m de comprimento; 1,75 m de largura e 2,6 m de altura; pesava 6,8 ton.

O M29 foi o modelo de produção, que adicionou um rolo dianteiro para superação de obstáculos de 0,5 m, além de mais um rolete de retorno da lagarta. A torre foi modificada mantendo o canhão principal e uma metralhadora coaxial de 7,5 mm. Carregava 60 cargas de HE e 40 antipessoal com mais 300 cartuchos de metralhadora com projéteis perfurantes para até 12 mm de armadura. 2 caixas laterais de armazenamento foram adicionadas na forma de paralamas, com 96 unidades entregues ao exército francês entre 1930 e 31, servindo até 1940.




Em 1932 os P16 equipavam 8 esquadrões de reconhecimento em 4 divisões. em 1937 começaram a ser substituídos pelo SOMUA S35s, com 14 unidades ainda servindo na Tunísia e o restante redistribuído a unidades de infantaria nas funções de apoio e reconhecimento. Estima-se que 54 estavam disponíveis em 1940 na Batalha da França, tendo lutado satisfatoriamente e posteriormente abandonados devido ao stress de combate. Nenhum foi capturado ou preservado.


segunda-feira, 14 de março de 2016

M41 Walker Bulldog (34)


O carro de combate M41 Walker Bulldog foi concebido na forma de um tanque leve para substituir o M24 Chaffee, projeto bem sucedido mas considerado sub-armado para enfrentar os T-34 na Guerra da Coréia. Ágil e bem armado, este projeto não cumpriu seu intento de aerotransportabilidade pelos meios da época, e embora destinado a cumprir missões de esclarecimento, o US Army o queria dotado de uma arma poderosa.

Sua produção começou em 1951, dotando o exército americano de um veículo barulhento e beberrão, que teve seu batismo de fogo de forma limitada antes mesmo de concluir a maioria de seus testes de pré-produção para fazer frente aos T-34 da Coréia do Norte, nitidamente superiores ao M24. Em 1961 as forças japonesas receberam 150 exemplares.





A partir de 1965 começou a integrar as fileiras do Exército da República do Vietnam, compondo 5 esquadrões e atuando na guerra que acontecia neste país, substituindo os M24 lá existentes. Popularizou-se imediatamente junto aos seus tripulantes asiáticos, que devido a sua pequena estatura o consideraram bem dimensionado, ao contrário das tripulações norte-americanas que o consideravam apertado. Seu sucesso, além das características já mencionadas, se deveu a sua confiabilidade mecânica, simplicidade e excelente dirigibilidade. Enfrentaram com sucesso neste conflito modelos T-54 e PT-76. Em 1973 cerca de 200 unidades estavam em serviço neste país.

Equipou ainda as forças do Exército Brasileiro com cerca de 340 unidades, onde sofreu modificações locais e permaneceu por longo período. A partir de 1997 o EB iniciou sua substituição pelo modelo Leopard I alemão, estando próxima sua conclusão com a substituição total dos modelos M41. Esteve em serviço ainda na Espanha com 180 unidades, Chile com 60, República Dominicana com 12, Guatemala e Nova Zelândia 10 cada, Somália com 10, Filipinas com 7, Taiwan com 675, Tailândia com 200, Tunísia com 10 e Líbano com 20. Muitos ainda estão em serviço. O Uruguai opera modelos de 90 mm e motor Scania diesel modificados no Brasil, mais 24 unidades de características semelhantes doados por este país. Foi operado ainda pela Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Jordânia e África do Sul.



Nos EUA sua substituição foi pelo M551 Sheridan com casco de alumínio, canhão de 152 mm capaz de disparar mísseis anticarro para fazer frente a carros de combate pesados, e capacidade de aerotransporte e transposição anfíbia. Seu chassi serviu de base para o M42 Duster antiaéreo e o M75 APC, sendo que os modelos SPG M44 e M52 usaram muitos de seus componentes.

O M41 é um carro de combate leve, pesando 23,5 ton e equipado com um motor Continental AOS-895-3 de 6 cilindros a gasolina e 500 hp, produzindo uma relação potência/peso de 21,3 hp/ton. Ostentando uma blindagem máxima de 38 mm na parte frontal; mede 5,819 m de comprimento; 3,2 m de largura e 2,71 m de altura; sendo tripulado pelos tradicionais 4 integrantes como na maioria dos carros de combate. Está apoiado sobre uma suspensão do tipo barras de torção, com 5 pares de rodas que giram dentro de um par de lagartas com polia tensora a frente e tratora atrás junto ao trem de força. Seu alcance está limitado a parcos 161 km e pode atingir na estrada uma velocidade de 72 km/h. Está artilhado com um canhão principal M32 de 76 mm; uma metralhadora de de 12,7 mm no alto da torre para fogo antiaéreo e uma metralhadora de 7,62 mm para emprego geral.


O modelo brasileiro sofreu grandes modificações pela indústria local, com o objetivo de nacionalizar componentes e reduzir a dependência externa, além de sanar deficiências do veículo original. Foram instalados motores diesel Scania V8 DS14, com alongamento da parte traseira do veículo, acarretando em uma série de consequências inesperadas, que com a mudança do centro de gravidade, resultou em desgaste prematuro das lagartas , quebra frequente do eixo de transmissão, problemas nunca resolvidos. Este modelo designado M41B não agradou e logo o M41C foi implementado com a adição blindagens frontais, periscópios nacionais e um canhão de 90 mm com a utilização do tubo original usinado, substituição das lagartas e colocação de saias laterais, além de outras modificações menores, mesmo assim deixou a desejar. A grande vantagem desta modificação foi a troca do dispendioso motor a gasolina de alto consumo pelo modelo nacional que proporcionou um alcance ao carro de 550 km, frente aos 161 originais.


sábado, 5 de março de 2016

OF-40 (33)



O OF-40 é uma iniciativa italiana de construção de um MBT conjunta da OTO Melara e FIAT destinado ao mercado de exportação, que logrou um único contrato junto aos Emirados Árabes Unidos, iniciado em 1977 com o primeiro protótipo concluído em 1980. Foi produzido entre 1981 e 1985 em pequena escala devido a encomenda única inferior a 40 unidades.

O projeto é fruto da produção sob licença do MBT alemão Leopard I pelo OTO Melara, com o qual compartilha alguns componentes. Possui a configuração de um carro de combate convencional de sua época, com a torre montada ao centro do veículo e motorista a direita da parte anterior do chassi, com munição de 42 cargas e sistema NBC localizados a sua direita, estando outras 15 cargas disponíveis na torre, totalizando 57. O comandante e o atirador se posicionam a direita da torre e o municiador a direita, totalizando 4 tripulantes.



Está equipado com um canhão raiado L7 de 105 mm e 52 calibres inglês com manga térmica e culatra semi-automática, não estabilizado nos protótipos, fabricado sob licença e metralhadoras 7,62 mm, uma coaxial e outra antiaérea montada na torre a disposição do comandante do carro. O controle de fogo é fornecido pela Officine Gallileo, o comandante dispõem com visores panorâmicos estabilizados VS 580-B 8x com capacidade noturna franceses da SFIM. O artilheiro conta com uma luneta telescópica C125 8x alinhado a um telêmetro laser Selenia VAQ-33 com alcance de 400 a 10.000 m.

Pesa 45,5 ton e está equipado com um motor alemão MTU MB 838 M500 V10 de 830 hp turboalimentado multicombustível, contado com uma relação potência/peso de 18,24 hp/ton, podendo alcançar uma velocidade de 60 km/h. Está apoiado sobre um suspensão do tipo barras de torção com amortecedores hidráulicos e de fricção, e 7 pares de rodas que rodam dentro da lagarta com polia tensora a frente a polia tratora na retaguarda junto ao trem de força. Seu tanque de combustível comporta 1000 litros de óleo diesel que o permite um autonomia de 600 km.

Mede 9,22 m de comprimento; 3,51 m de largura 3 2,45 m de altura, e distância do solo de 0,44 m. Pode atravessar vaus utilizando-se de snorkel e possui 2 bombas para esgotamento de água infiltrada. 

Foram produzidas as versões Mk.2 para os Emirados (upgrade) com sistema de controle de incêndio melhorado, arma estabilizadas e sensores melhorados, luneta do artilheiro com 14x e câmera LLLTV na torre para visão noturna. a versão ARV para recuperação com guindaste para 18 ton e guinchos para 35 ton, lâmina niveladora e kit de soldagem. a versão SPAAG antiaérea não foi produzida e era semelhante ao Guepard. A versão Palmaria consistia de um SPG com 210 unidades para a Líbia e 40 para a Nigéria, com a Argentina usando suas torres em seu chassi TAM para seu SPG local. O Otomatic foi outra versão antiaérea proposta com canhão único OTO Melara.