quarta-feira, 23 de março de 2016

P16 Schneider AMC (35)


O P16 Schneider AMC foi desenvolvido como um substituto melhorado do P4T 10CV "Modèle 1923", desenvolvido pela Citroen francesa e do qual foram construídas apenas 16 unidades, devido a suas limitações. A denominação AMC é derivada da expressão "auto mitrailleuse de combate" (metralhadora autopropulsada) que foi criada para burlar uma lei da época que proibia a cavalaria de usar carros de combate em 1922. O conceito do veículo semi-lagarta foi desenvolvido pelo engenheiro russo Adolphe Kégresse, e proporcionou  às unidades militares um meio dotado de excelente mobilidade para a época, através de uma esteira de metal emborrachado capaz de transpor terreno difíceis.

O P16 AMC foi construído para equipar as fileiras da cavalaria francesa, cujas unidades de pré-série foram completadas em 1925 como modelos M23 mais largos e potentes, designados M28. Eram dotados de um sistema Kégresse com polia tratora a frente e tensora atrás que também atuavam como rodas de apoio, em conjuntos com 2 bogies duplos com rodas menores emborrachadas no centro, com apenas 1 rolete de retorno. Contava com um conjunto de rodas direcionais de tamanho usual à frente, como característico de veículos deste tipo.



O chassi era dotado de uma armadura construída pela Schneider com 11,4 mm de espessura máxima, capaz de fornecer proteção contra armas de infantaria. estava potenciado com um motor Panhard P16 de 4 cilindros e 3178 cc a gasolina, refrigerado a ar e desenvolvendo 60 hp. Podia rodar a 50 km/h na estrada e 28 km/h fora dela, dependendo do tipo de terreno graças ao seu baixo peso e suspensão de bom desempenho, podendo alcançar até 250 km com seu tanque de 100 l. Podia transpor obstáculos de 0,4 m e alçar rampas com o gradiente de 40%, com seus 2 motoristas sentando-se lado a lado e equipados com direção redundante. O comandante do carro ocupava uma torre a retaguarda onde dispunha de um canhão de 37 mm e uma metralhadora Hotchkiss de 7,9 mm, em pontarias opostas. Media 4,83 m de comprimento; 1,75 m de largura e 2,6 m de altura; pesava 6,8 ton.

O M29 foi o modelo de produção, que adicionou um rolo dianteiro para superação de obstáculos de 0,5 m, além de mais um rolete de retorno da lagarta. A torre foi modificada mantendo o canhão principal e uma metralhadora coaxial de 7,5 mm. Carregava 60 cargas de HE e 40 antipessoal com mais 300 cartuchos de metralhadora com projéteis perfurantes para até 12 mm de armadura. 2 caixas laterais de armazenamento foram adicionadas na forma de paralamas, com 96 unidades entregues ao exército francês entre 1930 e 31, servindo até 1940.




Em 1932 os P16 equipavam 8 esquadrões de reconhecimento em 4 divisões. em 1937 começaram a ser substituídos pelo SOMUA S35s, com 14 unidades ainda servindo na Tunísia e o restante redistribuído a unidades de infantaria nas funções de apoio e reconhecimento. Estima-se que 54 estavam disponíveis em 1940 na Batalha da França, tendo lutado satisfatoriamente e posteriormente abandonados devido ao stress de combate. Nenhum foi capturado ou preservado.


segunda-feira, 14 de março de 2016

M41 Walker Bulldog (34)


O carro de combate M41 Walker Bulldog foi concebido na forma de um tanque leve para substituir o M24 Chaffee, projeto bem sucedido mas considerado sub-armado para enfrentar os T-34 na Guerra da Coréia. Ágil e bem armado, este projeto não cumpriu seu intento de aerotransportabilidade pelos meios da época, e embora destinado a cumprir missões de esclarecimento, o US Army o queria dotado de uma arma poderosa.

Sua produção começou em 1951, dotando o exército americano de um veículo barulhento e beberrão, que teve seu batismo de fogo de forma limitada antes mesmo de concluir a maioria de seus testes de pré-produção para fazer frente aos T-34 da Coréia do Norte, nitidamente superiores ao M24. Em 1961 as forças japonesas receberam 150 exemplares.





A partir de 1965 começou a integrar as fileiras do Exército da República do Vietnam, compondo 5 esquadrões e atuando na guerra que acontecia neste país, substituindo os M24 lá existentes. Popularizou-se imediatamente junto aos seus tripulantes asiáticos, que devido a sua pequena estatura o consideraram bem dimensionado, ao contrário das tripulações norte-americanas que o consideravam apertado. Seu sucesso, além das características já mencionadas, se deveu a sua confiabilidade mecânica, simplicidade e excelente dirigibilidade. Enfrentaram com sucesso neste conflito modelos T-54 e PT-76. Em 1973 cerca de 200 unidades estavam em serviço neste país.

Equipou ainda as forças do Exército Brasileiro com cerca de 340 unidades, onde sofreu modificações locais e permaneceu por longo período. A partir de 1997 o EB iniciou sua substituição pelo modelo Leopard I alemão, estando próxima sua conclusão com a substituição total dos modelos M41. Esteve em serviço ainda na Espanha com 180 unidades, Chile com 60, República Dominicana com 12, Guatemala e Nova Zelândia 10 cada, Somália com 10, Filipinas com 7, Taiwan com 675, Tailândia com 200, Tunísia com 10 e Líbano com 20. Muitos ainda estão em serviço. O Uruguai opera modelos de 90 mm e motor Scania diesel modificados no Brasil, mais 24 unidades de características semelhantes doados por este país. Foi operado ainda pela Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Jordânia e África do Sul.



Nos EUA sua substituição foi pelo M551 Sheridan com casco de alumínio, canhão de 152 mm capaz de disparar mísseis anticarro para fazer frente a carros de combate pesados, e capacidade de aerotransporte e transposição anfíbia. Seu chassi serviu de base para o M42 Duster antiaéreo e o M75 APC, sendo que os modelos SPG M44 e M52 usaram muitos de seus componentes.

O M41 é um carro de combate leve, pesando 23,5 ton e equipado com um motor Continental AOS-895-3 de 6 cilindros a gasolina e 500 hp, produzindo uma relação potência/peso de 21,3 hp/ton. Ostentando uma blindagem máxima de 38 mm na parte frontal; mede 5,819 m de comprimento; 3,2 m de largura e 2,71 m de altura; sendo tripulado pelos tradicionais 4 integrantes como na maioria dos carros de combate. Está apoiado sobre uma suspensão do tipo barras de torção, com 5 pares de rodas que giram dentro de um par de lagartas com polia tensora a frente e tratora atrás junto ao trem de força. Seu alcance está limitado a parcos 161 km e pode atingir na estrada uma velocidade de 72 km/h. Está artilhado com um canhão principal M32 de 76 mm; uma metralhadora de de 12,7 mm no alto da torre para fogo antiaéreo e uma metralhadora de 7,62 mm para emprego geral.


O modelo brasileiro sofreu grandes modificações pela indústria local, com o objetivo de nacionalizar componentes e reduzir a dependência externa, além de sanar deficiências do veículo original. Foram instalados motores diesel Scania V8 DS14, com alongamento da parte traseira do veículo, acarretando em uma série de consequências inesperadas, que com a mudança do centro de gravidade, resultou em desgaste prematuro das lagartas , quebra frequente do eixo de transmissão, problemas nunca resolvidos. Este modelo designado M41B não agradou e logo o M41C foi implementado com a adição blindagens frontais, periscópios nacionais e um canhão de 90 mm com a utilização do tubo original usinado, substituição das lagartas e colocação de saias laterais, além de outras modificações menores, mesmo assim deixou a desejar. A grande vantagem desta modificação foi a troca do dispendioso motor a gasolina de alto consumo pelo modelo nacional que proporcionou um alcance ao carro de 550 km, frente aos 161 originais.


sábado, 5 de março de 2016

OF-40 (33)



O OF-40 é uma iniciativa italiana de construção de um MBT conjunta da OTO Melara e FIAT destinado ao mercado de exportação, que logrou um único contrato junto aos Emirados Árabes Unidos, iniciado em 1977 com o primeiro protótipo concluído em 1980. Foi produzido entre 1981 e 1985 em pequena escala devido a encomenda única inferior a 40 unidades.

O projeto é fruto da produção sob licença do MBT alemão Leopard I pelo OTO Melara, com o qual compartilha alguns componentes. Possui a configuração de um carro de combate convencional de sua época, com a torre montada ao centro do veículo e motorista a direita da parte anterior do chassi, com munição de 42 cargas e sistema NBC localizados a sua direita, estando outras 15 cargas disponíveis na torre, totalizando 57. O comandante e o atirador se posicionam a direita da torre e o municiador a direita, totalizando 4 tripulantes.



Está equipado com um canhão raiado L7 de 105 mm e 52 calibres inglês com manga térmica e culatra semi-automática, não estabilizado nos protótipos, fabricado sob licença e metralhadoras 7,62 mm, uma coaxial e outra antiaérea montada na torre a disposição do comandante do carro. O controle de fogo é fornecido pela Officine Gallileo, o comandante dispõem com visores panorâmicos estabilizados VS 580-B 8x com capacidade noturna franceses da SFIM. O artilheiro conta com uma luneta telescópica C125 8x alinhado a um telêmetro laser Selenia VAQ-33 com alcance de 400 a 10.000 m.

Pesa 45,5 ton e está equipado com um motor alemão MTU MB 838 M500 V10 de 830 hp turboalimentado multicombustível, contado com uma relação potência/peso de 18,24 hp/ton, podendo alcançar uma velocidade de 60 km/h. Está apoiado sobre um suspensão do tipo barras de torção com amortecedores hidráulicos e de fricção, e 7 pares de rodas que rodam dentro da lagarta com polia tensora a frente a polia tratora na retaguarda junto ao trem de força. Seu tanque de combustível comporta 1000 litros de óleo diesel que o permite um autonomia de 600 km.

Mede 9,22 m de comprimento; 3,51 m de largura 3 2,45 m de altura, e distância do solo de 0,44 m. Pode atravessar vaus utilizando-se de snorkel e possui 2 bombas para esgotamento de água infiltrada. 

Foram produzidas as versões Mk.2 para os Emirados (upgrade) com sistema de controle de incêndio melhorado, arma estabilizadas e sensores melhorados, luneta do artilheiro com 14x e câmera LLLTV na torre para visão noturna. a versão ARV para recuperação com guindaste para 18 ton e guinchos para 35 ton, lâmina niveladora e kit de soldagem. a versão SPAAG antiaérea não foi produzida e era semelhante ao Guepard. A versão Palmaria consistia de um SPG com 210 unidades para a Líbia e 40 para a Nigéria, com a Argentina usando suas torres em seu chassi TAM para seu SPG local. O Otomatic foi outra versão antiaérea proposta com canhão único OTO Melara.


sexta-feira, 4 de março de 2016

M1 Abrams (32)


O M1 Abrams é o MBT padrão das forças blindadas do US Army e US Marine Corps, equipando também os exércitos de países aliados, como o Egito, Arábia Saudita, Austrália e Kuwait. É considerado um dos mais eficientes MBTs da atualidade, seja pelo protagonismo dos EUA no cenário mundial ou pela sua participação intensa nas campanhas em que está ou esteve envolvido, contabilizando larga experiência de combate. Ele se propõem a rivalizar de frente com qualquer outro similar existente no mundo, destruindo seus adversários e protegendo sua tripulação em todos os cenários concebíveis até então.

Pode atuar em qualquer condição meteorológica, de dia ou a noite em campo de batalha não linear, como é característica dos conflitos recentes, oferecendo aos seus tripulantes poder de fogo, capacidade de manobra e proteção blindada através do uso de sistemas inteligentes de fusão de dados digitais que oferecem alto nível de consciência situacional.

Desde 1980, quando entrou em serviço, 3 versões diferentes foram postas em serviço, sendo o M1 original e seus aperfeiçoamentos M1A1 e M1A2, sendo que mais de 8.800 unidades das três versões já foram entregues aos seus operadores. 

O modelo M1A1, produzido de 1985 a 1993, substituiu o canhão principal de 105 mm da versão anterior por uma peça de 120 mm, além de outras melhorias na suspensão, nova torre, blindagem mais eficaz e sistemas NBC melhorados. A versão A2 incorpora ainda dispositivo de visão IR para o comandante do carro, e sistemas de consciência situacional integrados aos demais veículos da unidade e escalão superior, consolidando o conceito de armas combinadas dentro do conceito de NCW. O US Army está convertendo os modelos M1 em M1A2, ao invés de encomendar novas unidades. Um sistema de mira FLIR e C2 digital também está sendo incorporado.


M1
M1A1
M1A2
Comprimento:
9,77 m
9,83 m
Largura:
3,66 m
Altura:
2,37 m
2,43 m
Velocidade máxima:
72 km/h
67 km/h
Velocidade off-road:
49 km/h
Velocidade aclive 10%:
32 km/h
27 km/h
Velocidade aclive 60%
7,2 km/h
6,6 km/h
Aceleração 0-32 km/h
7 s
7,2 s
Autonomia:
442 km
426 km
Peso:
60 ton
67,6 ton
68,7 ton
Armamento:
M68 A1 105 mm raiado
M256 120 mm liso
Tripulação:
4
Altura do solo:
0,48 m
Pressão sobre o solo:
13,1 psi
13,8 psi
15,4 psi
Trincheira:
1,24 m
1,07 m
Obstáculo vertical:

Motor
Turbina à gás AGT-1500 de 1.500 hp
Relação potência-peso:
25 hp/ton
23,8 hp/ton
21,6 hp/ton
Transmissão:
Hidrocinética 4 marchas a frente a 2 a ré

Em serviço desde 1980, teve seu batismo de fogo quando em agosto de 1990 quando os EUA fizeram frente a invasão do Kuwait pelas forças iraquianas, onde pairavam dúvidas sobre sua capacidade operacional longe de suas instalações de manutenção de tempos de paz e sob o inclemente assédio da abrasão do deserto por meses a fio, bem como da resistência das antenas da torre. Sua logística se mostrou complicada devido ao seu alto peso de mais de 60 ton, tendo na campanha do Kuwait os cargueiros C-5 Galaxy podido transportar apenas 1 unidade por viagem, sendo que em sua maioria foram transportados por navios, demonstrando pouca mobilidade estratégica, característica também de outros carros de combate de peso superior.





Os modelos M1 estão equipados com uma turbina a gás Lycoming Textron de 1.500 hp, acoplados a uma transmissão hidrocinética Allison com 4 marchas a frente e 2 a ré, podendo cruzar até 442 km sem reabastecimento atingindo uma velocidade máxima de 72 km/h. Seu armamento principal é um canhão raiado de 105 mm, com capacidade de fogo tando diurno como noturno dotado de computador balístico digital. Combustível e munição possuem compartimentos protegidos melhorando a capacidade de sobrevivência da tripulação, e o casco dotado de armadura baseada na tecnologia Chobham britânica, podendo ter adições de blindagem reativa, se necessário.

A Guerra do Kuwait foi a oportunidade para se avaliar o desempenho do M1A1 em situação real pois enfrentou os carros russos T-72 com canhão de 125 mm e tecnologia similar, que se mostrou inferior e mais próximo ao M-60, e outros carros mais antigos como os T-62 e T-54, nitidamente inferiores. Sua capacidade de disparar em movimento mesmo em terreno acidentado graças ao canhão estabilizado, com seus dispositivos de visão térmica que permitiam ver a noite, ou sob fumaça e poeira. Pouco tanques foram inutilizados, principalmente para minas, porém nenhum tripulante foi perdido, houveram poucas falhas mecânicas e sua disponibilidade se manteve em 90%, sem precedentes.

O M1A1 é o primeiro aperfeiçoamento do M1, que incorporou uma canhão Rheinmetall de alma lisa e 120 mm M256, que demonstrou precisão a 4.000 m no Iraque, disparando munição APFSDS de urânio empobrecido, com densidade 2,5x maior que o aço e características de penetração superiores. Carrega ainda uma metralhadora de 12,7 mm para o comandante e uma de 7,62 mm para o carregador, além de uma coaxial de 7,62 mm. O comandante do carro dispõem de 6 periscópios para visão 360°, visualizador térmico independente, designação de alvos digital, podendo o comandante disparar o canhão. O imageador térmico exibe suas imagens na ocular do atirador, os dados do telêmetro laser e de velocidade e direção do vento, e nivelamento são transferidos diretamente para o computador balístico, e os dados de tipo de munição, temperatura ambiente e pressão barométrica são alimentados manualmente, que de posse deles calcula a solução de tiro.




O carregador posiciona-se no lado esquerdo da torre e não tem equipamentos de fogo. O motorista possui 3 periscópios com o central equipado com intensificador noturnos, e permitem manobras a noite e com poeira e fumaça.

A torre conta com 2 lançadores de fumígenos M250 de 6 canos, um em cada lado, com granadas de fósforo que mascara assinatura térmica. Possui sistema anti-incêndio e sistema de sobrepressão de ar limpo para proteção NBC, com alertas para agentes nocivos

Os M1A2 estão sendo produzidos a partir de modelos M1 antigos, e sua principal inovação é sua capacidade de comando e controle que resultam no aumento de sua letalidade, que concatena a integração total dos sensores, interface do operador e sistema de armas, dando a consciência situacional semelhante a de um caça moderno, com processadores e monitores de última geração, permitindo alta letalidade e baixo risco de fratricídio. Incorpora uma unidade APU de alta capacidade que permite operar os sistemas com o motor principal desligado. Possui sistema de controle ambiental e alta capacidade de compartilhamento de dados com outras unidades de um sistema da armas combinadas. Seu sistemas estão integrado aos sistemas táticos e logísticos do escalão superior em tempo real, sendo a posição de cada carro constantemente conhecida, conforme os modernos conceitos de NCW.

Foram desenvolvidas ainda o M1A2SEP com sistemas de informação mais apurados e que apresenta as soluções de tiro ao comandante na forma de uma lista de opções de forma automática, bastando a seleção para que o processo se dê de forma totalmente independente dos operadores, aumentando a eficácia pela maior precisão e velocidade de resposta. O Kit TUSK se propõem a disponibilizar um M1 para ambientes de guerra assimétrica com maior proteção a tripulação contra IEDs e operação em ambiente urbano, metralhadora controlada remotamente, módulos de blindagem reativa e a reedição do "telefone do infante", um sistema para comunicação com a tropa a pé.



domingo, 20 de dezembro de 2015

M75 APC (31)



O M75 foi um APC desenvolvido para o US Army para substituir os precários transportes de infantaria da Segunda Guerra Mundial, depois que o exército rejeitou a versão APC do M44, excessivamente grande. Produzido entre 1952 e 1954, os M75 serviram na Guerra da Coréia e foram posteriormente doados para a Bélgica como ajuda militar.

O M44 comportava 24 soldados em seu interior mais 3 tripulantes, o que não se adequava a doutrina que previa grupos de combate de 10 infantes, sendo apenas algumas unidades construídas. Em setembro de 1946 foi autorizada o desenvolvimento de um novo veículo denominado T18, que após testes de aceitação entrou em produção como M75. De silhueta excessivamente alta e custo igualmente elevado sua produção foi interrompida após 1.729 unidades.



O M75 compartilha muitos componentes do chassi e suspensão do M41 Walker Bulldog.  Estava potenciado com um motor Continental AO-895-4 de 6 cilindros a gasolina de 295 hps, refrigerado a ar e com cilindros contrapostos. A suspensão é do tipo barras de torção que apoia o veículo sobre 6 pares de rodas laterais, com polia tratora a frente e tensora a retaguarda. Era construído em aço soldado com blindagem que variava de 25 a 50 mm, pesando em condições de combate 19 ton e com configuração interna igual a do M113.

O veículo cruzava a uma velocidade máxima de 69 km/h, e transportando 568 litros de combustível podia alcançar 185 km sem reabastecimento. mede 5,2 m de comprimento; 2,85 m de largura e 2,75 m de altura. Era armado com um metralhadora de 12,7 mm, o motorista tinha periscópios para visão infravermelha , cruzava vaus de 1,22 m; obstáculo vertical de 0,46 m e fossos de 1,68 m, superando rampas com gradiente de 60 por centro.


BMP-1 IFV (30)



O BMP-1 (Boyevaya Mashina Peknoty ou veículo de combate de infantaria),foi o primeiro IFV produzido em massa na antiga URSS, desenvolvido para proporcionar a infantaria avançar com fluidez em meio aos escombros resultantes das futuras guerras nucleares que se travariam, repletas de contaminação radiativa, química e bacteriológica. Entrou em serviço 1966 e permanece ativo até os dias atuais, experimentando combate real pela primeira vez nas mãos de egípcios e sírios na guerra do Yom Kippur em 1973. A experiência adquirida neste conflito permitiu a evolução para as versões posteriores.

Seus ROBs previam mobilidade necessária para que os infantes acompanhassem os carros de combate em meio a terra devastada e velocidade condizente em campo aberto e estradas. Seu armamento deveria destruir veículos leves e ter capacidade de apoio a tropa desembarcada ou não, pois esta deveria poder combater do interior do veículo. A blindagem deveria oferecer proteção contra projéteis de 12,7 mm e fragmentos de artilharia, além de projéteis de até 23 mm na parte frontal.




Sua filosofia de desenvolvimento enfatizou a necessidade de desembarque da infantaria da Segunda Guerra Mundial que era transportada em veículos adaptados, que não permitiam o combate embarcado e não ofereciam proteção NBC, atuando como "táxis de combate", recuando após o desembarque. 

O resultado foi um veículo compacto, com blindagem frontal apresentando perfil muito inclinado que aumenta em muito a probabilidade de ricochete e armadura que proporciona proteção contra projéteis de 12,7 m e fragmentos de artilharia pesados de todas as distâncias, e pode resistir a impactos do canhão Oerlinkon de 20 mm para disparos a mais de 100 m, sendo que esta resistência varia de acordo com a fábrica que o construiu. Nas laterais, teto e parte traseira a proteção é total contra disparos de 7,62 mm e fragmentos de artilharia de intensidade moderada, porém é vulnerável a impactos de 12,7 mm próximos e fragmentos de artilharia pesada. Nos conflitos do Afeganistão e Chechênia as portas traseiras e escotilhas foram perfuradas por munição de 7,62 mm disparadas de 30 a 50 metros, porém em testes estas mesmas portas com os tanque de combustível cheios de areia resistiu a impactos de 12,7 mm. Na Guerra do Golfo esta blindagem demonstrou ser vulnerável ao canhão de 25 mm do Bradley. Em todas as situações a torre resistiu bem, pois além de armadura mais grossa é um alvo pequeno. A armadura da torre varia de 13 (30°) a 23 mm (42°), a frontal é de 7 (80°) a 19 mm (36°), a lateral de 16 (14º a 18 mm (0°), sendo de 33 mm o reparo da arma e a parte superior de 6 mm.




Apresenta pouca proteção contraminas anticarro e IEDs, como se verificou no conflito do Afeganistão, com pesadas perdas de motoristas e comandantes do carro. Motoristas passaram a colocar sacos de areia sob o seu compartimento. A partir de 1982 a variante BMP-1Ds passaram a contar com blindagem adicional no compartimento do motorista e comandante. Sua armadura também é insuficiente contra rojões AC, o que levou os infantes soviéticos  no Afeganistão a usarem a parte superior externa do BMP para se acomodarem.

Construído em aço soldado laminado, o veículo é totalmente anfíbio, podendo atravessar águas calmas apenas a velocidade de 8 km/h com propulsão pelas lagartas, com a proteção dianteira contra ondas erguida, que oferece alguma proteção balística adicional, porém não tem capacidade para desembarque marítimo. O motorista está posicionado a frente no lado esquerdo com o motor a direita, atrás dele posiciona-se o comandante do grupo e operando a torre de armas está o atirador, um grupo de mais 8 infantes é transportado no compartimento traseiro. 8 seteiras mais uma, 4 em cada lateral e uma na porta traseira, permitem que os infantes façam fogo do interior do veículo, que é apertado e não permite o transporte interno de muito equipamento pessoal, que deve ser transportado a retaguarda da torre na parte externa, limitando seu giro. O combustível é acomodado entre os assentos, assim como baterias e ferramental. 4 escotilhas na parte superior permite acesso dos infantes ao exterior, assim como uma porta na parte traseira que também possui tanque de combustível. Atirar pela seteiras com o veículo em movimento requer treinamento apurado, nem sempre disponível, mas é muito útil em combates urbanos.




O motorista dispõem de 3 periscópios, podendo ser instalados períscópios com intensificador de visão noturna binocular. O posto do comandante dispõem de holofote infravermelho removível com dispositivo binocular com ampliação e modo dia/noite para 400 metros e radiocomunicador. A torre é de operação elétrica e seu giro é prejudicado pela posição do holofote, que requer a elevação da arma principal para ser feito. Quando a arma está apontada para trás impede a abertura das escotilhas da tropa. O atirador dispõem de periscópio dual dia/noite com ampliação 6x e intensificador noturno, telêmetro ótico e holofote infravermelho/luz branca. 

O armamento consiste em um canhão de baixa pressão 2A28 Grom de 73 mm de operação semi-automática para alvejar veículos até 700 m  com cadência de 8 a 10 TPM, que deve retornar a elevação de 3° após cada disparo para carregamento se o carregador automático for usado, e sua munição PG-15V pode penetrar blindagens de até 350 mm. A muniçãp PG-9 modernizada pode penetrar até 400 mm a até 500 m. O OG-15V tem o dobro da carga do PG-15V e é utilizado contra alvos macios ou tropas. Uma metralhadora PKT 7,62 mm é monta coaxialmente ao canhão. Devido a ênfase ao fogo anticarro esta configuração de armamento não foi efetiva contra infantaria fortificada, devido ao limitado ângulo vertical da arma. Sobre o reparo do canhão montou-se o lançador para o ATGW 9M14 Malyutka (AT-3A Sagger A) para alvos entre 500 e 3000 m, de disparo diurno e com veículo parado. Carrega 2 cargas na torre e 2 no casco. A recarga das ATGW é problemática sob condições NBC, pois a abertura do compartimento pode contaminar o interior.



O veículo está potenciado com um motor diesel UDT-20 de 6 cilindros em V de 15,8 litros e 300 hp acoplado uma transmissão manual de 5 marchas com tanque de combustível de 462 litros que lhe proporciona um autonomia de 600 km. Pode cruzar a 65 km/h na estrada e 45 km/h fora dela. Supera obstáculos verticais de 0,7 m de trincheiras de 2,5 m. Pode operar a inclinações laterais de 25° e superar ladeiras de até 35º. Sua suspensão do tipo barras de torção apoiam 6 rodas de cada lado que distribuem o peso do carro sobre sua lagarta, com polia tratora a frente e tensora a ré, que exerce uma pressão sobre o solo de 0,6 kg/cm², podendo atravessar terreno pantanoso e neve. A relação potência/peso é 22,7 hp/ton.

Mede 6,73 m de comprimento, 2,94 m de largura de 2,068 m de altura. Pesa 13,2 ton e mede 0,37 m do solo.  A baixa silhueta e compacidade do veículo são um de seus pontos fortes a distribuição motor, compartimento da infantaria e depósitos de munição se tornaram padrão para muitos APCs/IFVs.  O tanque de combustível entre os assentos da infantaria os torna vulnerável a explosão deste e os tanques na porta traseira só devem ser usados em deslocamentos para aumentar o alcance. Em combate devem ser preenchidos com areia aumentando a proteção. A ausência de ar-condicionado torna sua operação complicada em climas quentes forçando a abertura das portas superiores, tornando a infanatria vulnerável a atiradores em posições superiores. Alguns modelos de exportação foram equipados.



Mais de 20.000 unidades foram produzidas na URSS e nas fábricas licenciadas da república Tcheca, Romênia e Índia. A China produziu uma versão não licenciada, cerca de 3.000 unidades.




Operadores

Abkhazia, Afeganistão, Albânia, Angola, Argélia, Azerbaijão, Belarus, Brunei, Bulgária, Camboja, China, Coréia do Norte, Costa do Marfim, Cuba, Egito, Eslováquia, Guiné Equatorial, Eritréia, Etiópia, Geórgia, Grécia, Hungria, Índia, Irã, Iraque, Israel, Kasaquistão, Líbia, Mongólia, Marrocos, Moçambique, Moldávia, Myannar, Ossétia do Sul, Polônia, Quirguistão, República Democrática do Congo, República Nagorno-Karabakh, República Tcheca,Romênia, Ruanda, Rússia, SADR, Sri-Lanka, Sudão, Síria, Tadjquistão, Turcomenistão, Ucrânia, Uruguai, Uzbequistão, Vietnam, Yemen.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

M113 APC (29)



O M113 é um veículo blindado destinado ao transporte de pessoal (APC) desenvolvido no final da década de 1950 pela FMC baseado na experiência adquirida na Guerra da Coréia. Entrou em Serviço no US Army em 1961 substituindo os veículos M75 e M59 no US Army e desde entrão cerca de 85.000 unidades foram produzidas, sendo o veículo blindado mais numeroso já produzido, prestando serviço em mais de 50 países.

É construído em um casco estanque de alumínio balístico totalmente fechado, que lhe proporciona total flutuabilidade, sendo um veículo com capacidade anfíbia plena podendo cruzar águas calmas sem qualquer tipo de preparação, com sua couraça, débil para os dias atuais (12 a 38 mm), oferecendo proteção contra disparos de 7,62 mm e estilhaços de artilharia. Esta construção lhe confere um peso baixo, possibilitando o uso de motor pouco potente e possibilitando o transporte grande carga útil em terreno difícil. Tem o motor montado na parte dianteira a direita com motorista a esquerda, transportando além do motorista e comandante do carro/metralhador um grupo de combate reforçado de até 11 integrantes, que podem deixar o veículo por um rampa traseira dotada de uma porta de emergência, além de escotilhas no teto. Sua impulsão em meio aquático se dá pelo giro de suas lagartas.

Seu armamento é uma metralhadora de 12,7 mm montada na torre do comandante que pode fazer fogo tanto terrestres quanto antiaéreo,  insuficiente para prover apoio a infantaria no campo de batalha dos dias atuais, sendo mais adequada para ações de autodefesa. Apesar de sua longevidade não atende mais as demandas da guerra moderna, estando relegado em exércitos mais abastados a tarefas secundárias, podendo no entanto cumprir um sem número de tarefas que não exijam grande resistência ao atrito de combate do século XXI.





As primeiras unidades estavam motorizadas com uma unidade Chrysler 75M a gasolina de 209 hp acoplada a uma transmissão GM manual, que lhe proporcionava boa mobilidade sobre areia, neve ou lama. A gasolina não é um bom combustível para um veículo militar devido a facilidade com que incendeia. Em 1964 evoluiu para a versão A1 com a motorização a diesel 6V53 de 6 cilindro e 212 hp. A versão A2 de 1979 teve aperfeiçoamentos no sistema de refrigeração do motor e suspensão reforçada. Em 1986 surgiu a versão A3 com casco mais longo, blindagem melhorada resistindo impactos de 12,7 mm, tanques de combustível na parte traseira montadas externamente e igualmente couraçados, motor mais potente de 275 hp.

Participou das guerras do Vietnam (1955-1975), Yon Kippur (1973), Invasão do Panamá (1989-1990), Irã-Iraque (1980-1988), Libertação do Kwait (1991), Kosovo (1998-1999), Afeganistão (2001-) e Ocupação do Iraque (2003-2011), e outros conflitos menores.

Mede 4,86 m de comprimento; 2,69 m de largura e 2,2 m de altura. Pesa 12,3 ton em condições de combate e 10,8 ton vazio, exercendo uma pressão sobre o solo de 7,5 a 8,6 psi. Transporta 2 tripulantes mais 11 infantes em condições de combate. Atinge 66 km/h em terra e 5,8 km/h na água; pode transpor declives de 60% e cruzar por inclinação lateral de 40%; podendo transpor trincheiras de 1,68 m, obstáculos verticais de 0,61 m medido 0,4 m a partir do solo. Em sua versão padrão atual (A3) está motorizado com uma unidade Detroit Diesel 6V53T de 5,2 litros com 275 hp e uma relação potência/peso de 20,2 hp/ton acoplado a uma transmissão automática Allison X200-4B. Seu tanque comporta 360 litros que lhe permite cruzar 483 km sem reabastecimento. A suspensão é do tipo barras de torção e apoia o carro sobre 5 pares de rodas. Estes dados referem-se a versão básica norte-americana podendo variar em cada país usuário de acordo com as modificações implementadas, pois seus usuários promoveram variadas atualizações de meia vida em suas indústrias locais, existindo hoje um grande número de configurações.




A família M113 deu origem a 12 versões originais: M58 e M1059 geradores de fumaça; M106, M125 e M1064 porta-morteiros; M113 ambulância;M548 e M1108 cargueiros, este último é a base do sistema MLRS dos EUA; M577 e M1068 postos de comando; M730 SAM Chaparral; M901 ATGW Tow; M981 Observador Avançado; M163 Vulcan AAé; M667 Míssil Lance;entre outras.

O Brasil possui uma quantidade significativa destes blindados A1 e está modernizando (2015) 434 do exército para o padrão BAE Systems A2Mk1 com motor Detroit Diesel 6V53T Turbo de 265 hP e 30 dos fuzileiros navais para o padrão IMI-MB1 com motor Catterpilar C7 Turbo de 300hp, esta mais sofisticada e cara possibilitada pelo menor número de unidades.





Operadores: 
Afeganistão; Albânia; Alemanha; Arábia Saudita; Argentina; Austrália; Bahrain; Bangladesh; Bélgica; Bolívia; Bósnia Herzegovina; Brasil; Camboja; Canadá; Chile; Cingapura; Colômbia; Coréia do Sul; Dinamarca; Egito; Equador; Espanha; Estados Unidos; Etiópia; Filipinas; França; Grécia; Guatemala; Holanda; Iêmen; Irã; Iraque; Israel; Itália; Jordânia; Kuwait; Líbano; Líbia; Lituânia; Macedônia; Marrocos; Noruega; Nova Zelândia; Paquistão; Peru; Polônia; Portugal; República Democrática do Congo; Somália; Sudão; Suécia; Suíça; Tailândia; Taiwan; Tunísia; Uruguai; Vietnã; 


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